1. DIÁLOGOS ENTRE LITERATURA, CULTURA, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

Profa. Dra. Lucélia de Sousa Almeida (UFMA)
Prof. Me. Huarley Mateus do Vale Monteiro (UERR/UFPA)

RESUMO: O presente Simpósio visa reunir a discussão sobre pesquisas que deem ênfase aos diálogos entre literatura, cultura, memória e resistência, uma vez que a literatura de resistência carrega fios subterrâneos, os quais se entrelaçam e dão origem a novas pulsões ao signo, que coloca a arte em evidência como um ato político e politizado. Neste sentido, ressalta-se que para Bosi (2002), a resistência aparece na produção literária ora como tema e ora como processo inerente à escrita, assim, as produções dos grupos sociais e étnicos, inclusive dos tratados como minorias assim como aquelas dos períodos de autoritarismo assumem essa classificação. Desse modo, neste Simpósio, serão acolhidos trabalhos que abordem a literatura como produto da memória e resistência, que dialoguem sobre humor, política, memória do trauma e práticas correlatas a tempos de silenciamento da voz dos sujeitos.

2. LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Profa. Ma. Regilane Barbosa Damasceno (UnB)

RESUMO: Este Simpósio pretende discutir as literaturas africanas escritas, sobretudo, nos Países da lusofonia, uma vez que a escritura africana insere-se na categoria da resistência, por se tratar de uma literatura que resistiu ao poder do colonizador como se vê em José Craveirinha com o seu “Grito negro” e outros poemas da sua vasta poética. Além da prosa do angolano Luandino Vieira, da prosa de José Agualusa, Evel Rocha, Dina Salústio, Vera Duarte, Mia Couto, Guilherme de Melo, Noêmia de Souza, Paulina Chiziane, Ondjaki, Pepetela e tantos outros que carregam na pele e na escrita as vozes de uma África que existe e resiste ao poder do colonizador, que procura romper com os sistemas opressores. Portanto, serão aceitos quaisquer trabalhos que levem em consideração os autores mencionados e outros os quais venham de qualquer um dos países que têm a língua portuguesa como língua oficial e até mesmo de outros locais do continente africano.

3. MULHER E AUTORIA FEMININA EM TEMPOS DE RESISTÊNCIA

Profa. Dra. Maria Edileuza da Costa (UERN)

RESUMO: Este Simpósio pretende debater investigações acerca da produção literária de autoria feminina nas literaturas brasileira e estrangeira, nos seus diferentes gêneros. Considera-se que desde a Antiguidade a produção de autoria feminina que é inscrita sob o código da resistência, pois faz emergir uma produção que durante séculos fora ignorada na historiografia da literatura. Assim, é importante perceber que muitas mulheres foram ignoradas e que mesmo tendo produzido bastante no tempo em que viveram ainda são pouco conhecidas mesmo no ambiente acadêmico, como é o caso de Nísia Floresta, Tânia Lispector, Nenê Macaggi, Eneida de Moraes e outras. Entretanto, tem sido percebido que a partir da crítica feminista dos anos de 1970 as mulheres passaram a ter maior visibilidade em relação aos seus escritos e passaram a escrever mais, além de não estarem sujeitas à rejeição e ao escândalo. Nesta conjuntura, literatura de autoria feminina é demarcada pelo caráter da resistência e do revisionismo do cânone literário que nunca quis o reconhecimento da escrita feminina, sendo ainda mais severo quando se tratava de mulheres pobres e negras. Desse modo, neste Simpósio serão acolhidos trabalhos que considerem a produção de autoria feminina em quaisquer épocas literárias e nacionalidades.

4. LITERATURAS FEMININA E HOMOAFETIVA EM TEMPOS DE DESUMANIZAÇÃO

Prof. Dr. Rubenil da Silva Oliveira (UFMA)
Profa. Ma. Almiranes dos Santos Silva (UFPI)

RESUMO: O presente Simpósio visa discutir acerca das produções literárias feminina e homoafetiva em tempos de desumanização, isto evoca o caráter contestador dessas produções, porque elas se levantam contra um sistema que defendeu que estes sujeitos fossem eternamente subalternizados. Por essa ótica, entende-se que as obras classificadas como tais dialogam com a obra Pode o subalterno falar?, de Gayatril Spivak, inclusive rompe com os silêncios postos acerca dessas identidades de gênero e sexuais. Neste Simpósio serão aceitos trabalhos que discutam a feminilidade, os diferentes olhares sobre os corpos, inclusive os erotizados e sexualizados conforme apresenta Elódia Xavier em Que corpo é esse? (2007), a prostituição, a lesbo-afetividade e a homoafetividade masculina das diferentes faixas etárias, etnias e nacionalidades, com enfoque principal em tempos de regimes autoritários e de não liberdade às pulsões da sexualidade, além de não estabelecer um recorte temporal ou dimensão, uma vez que quando se trata das homoafetividades, estas obras na perspectiva de Moriconi (2002) podem estar centradas nas dimensões sentimental, erótico-pornográfica e a escrita de AIDS. Então, este Simpósio é um espaço plural para o acolhimento às diferenças e o debate das teorizações de gênero em se tratando de feminino e identidades sexuais.

6. LITERATURA, EDUCAÇÃO E ENSINO

Profa. Ma. Michelle Mittelstedt Devides (FATEC BAURU/UNESP-Assis)

RESUMO: Tendo por alicerce a Literatura, o simpósio objetiva reunir textos que dialoguem, crítica e construtivamente, com a Educação e o Ensino pensados de modo inter e/ou transdisciplinarmente. Busca-se, portanto, trabalhos que abordem, dentre outros, o ensino de literatura, o letramento literário, a educação intercultural por via da literatura e quaisquer outras discussões que articulem a triangulação Literatura, Educação e Ensino.

7. POESIA, "A CONTRA-MOLA QUE RESISTE"

Prof. Dr. Rafael Campos Quevedo (UFMA)
Profa. Dra. Viviane Dantas Moraes (UFMA)

RESUMO: Inspirado num trecho de um verso extraído do poema de João Apolinário musicado pelo grupo Secos e molhados, em 1973, este simpósio se propõe a discutir todas as formas possíveis de resistência de uma arte milenar que, ao que tudo indica, tem sido e continuará a atuar como a "contra-mola" das mais diversas formas de engrenagem. Serão aceitos, portanto, trabalhos que tratem das relações da poesia com a sociedade e/ou com outras artes sob a perspectiva das várias modalidades de resistência, subversão, antagonismo, protesto, testemunho e combate. Por outro lado, serão também bem-vindas abordagens que tratem a poesia como resistência às tendências de rupturas e de forças desagregadoras e que, desse modo, apresentem-na nas formas de releituras e apropriações de tradições do passado em épocas francamente marcadas por inovações e abandonos de heranças antigas.

8. LITERATURA, HISTÓRIA E IMPRENSA

Profa. Dra. Régia Agostinho da Silva (UFMA)
Profa. Dra. Cristiane Navarrete Tolomei (UFMA)

RESUMO: O Simpósio visa discutir as relações entre Literatura, História e Imprensa desde o século XIX até a atualidade, verificando a relação da pesquisa historiográfica e literária usando fontes de jornais como objeto de estudo. Os periódicos são uma fonte importante para pesquisas de vários tipos, especialmente, por documentar o passado por meio de textos, publicidade ou iconografia, os quais evocam o quadro histórico e as tendências literárias e culturais de uma época e de uma sociedade. Logo, este Simpósio receberá trabalhos que tratem de forma interdisciplinar a aproximação entre Literatura e História com base nos periódicos, preferencialmente, produzidos em língua portuguesa. Além disso, serão aceitos também trabalhos que contribuam para o entendimento da imprensa periódica enquanto cenário de debate e de divulgação para reflexão da história da cultura e das ideias.

9. TEATRO E RESISTÊNCIA

Prof. Me. Francisco Alves (PosLit – UnB)
Profa. Dra. Maria da Glória Magalhães dos Reis (UnB)

RESUMO: O teatro é a arte da palavra que se transmuta do texto para os gestos. A performance, a cena e o público fazem parte da maquinaria cênica, a realizar uma espécie de liturgia em que o ator insere o público numa rede de verdades simbólicas direcionadas à catarse, ou seja, através do teatro, renascemos para outras formas de observação do mundo. Sua potência política institui também sua essência porque é capaz de fazer o sujeito pensar criticamente sobre as problemáticas que o cerca. Neste sentido, o Simpósio intitulado “Teatro e Resistência” acolhe trabalhos que discutam dramaturgia e teatro como denúncia e resistência diante de sistemas de opressão e regimes de perseguição especialmente na América Latina. A cartografia temática pretendida no simpósio visa arregimentar pesquisas que coloquem à baila a presença do texto dramático como irradiador de reflexões sobre o horror, a tortura, a interdição, o controle dos corpos, e tantas outras formas de coerção física e simbólica perpetradas por entidades opressoras. Na formação da América Latina temos um conjunto de narrativas dramatúrgicas voltadas para a exposição dos conflitos rumo às liberdades e à democracia. O Brasil, alvo de uma ditadura militar severa que gerou mutilações, mortes e desaparecimentos possui uma variedade de vozes teatrais que se utilizaram da vocação política do teatro para denunciar as barbaridades cometidas. Portanto, o Simpósio pretende colocar em discussão a presença do texto dramático e a performance teatral como vetores potentes de reflexão sobre o ato de resistir em meio às violências polimorfas.

10. LITERATURA NEGRO-BRASILEIRA: DO SÉCULO XIX À CONTEMPORANEIDADE

Prof. Ma. Claudia Letícia Gonçalves Moraes (UFMA/UnB)
Prof. Me. Rayron Lennon Costa Sousa (UFMA/UFPI)

RESUMO: A escrita literária é compreendida como um processo em que a experiência dos negros e dos afro-descendentes é considerada fundamental para se constituir formas próprias de produção da arte e da literatura em toda sua riqueza estética, considerando também suas imbricações ideológicas. Assim, em uma sociedade como a brasileira, estruturada pelo racismo, a luta pela conquista de espaços e direitos é uma constante, e passa também pelo campo simbólico das artes – este talvez o maior campo de disputa nas demandas em questão. O presente Simpósio propõe um diálogo com trabalhos de crítica literária que busquem uma problematização das literaturas que abordam temas como o processo de abolição e do legado deixado pela escravidão e seus reflexos nos dias atuais, trazendo como recorte escritos de autores negro-brasileiros desde o século XIX até a literatura contemporânea. Assim, devem ser abordadas poética que apresentem vozes de denúncia das questões relacionadas às diversas experiências da população negra, tais como violência doméstica, dificuldades de quem habita as grandes favelas brasileiras, racismo estrutural, dentre outros, sendo ao mesmo tempo vozes que representam em seu registro estético-literário marcas profundamente mergulhadas nos problemas sociais de grande parte da população negra do país, num projeto literário que empreende uma ficção calcada na realidade cotidiana desta população. A proposição da proposta justifica-se por compreendermos que é de suma importância dar espaço para este tipo de literatura, tendo como foco a representatividade de uma escrita que retrata e explicita o cotidiano, os impasses e os problemas sociais e históricos vivenciados pelas pessoas negras do país. Serão aceitos trabalho de autores que estejam compreendidos neste recorte temporal, tais como Maria Firmina dos Reis, Lima Barreto, Machado de Assis, Solano Trindade, Carolina Maria de Jesus, Joel Rufino dos Santos, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Cuti, Jarid Arraes, Akins Kintê, Mel Adún, dentre outros. Como escopo teórico utilizaremos autores como Maria de Nazareth Soares Fonseca (2011), Eduardo de Assis Duarte (2010) e Mário Augusto Medeiros da Silva (2011).

11. ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Profa. Dra. Mariana Aparecida de Oliveira Ribeiro (UFMA)
Prof. Dr. Thomas Massao Fairchild (UFPA)

RESUMO: Este simpósio visa reunir apresentações de comunicações que problematizem o ensino de Língua Portuguesa. Nesse sentido, interessam os trabalhos que tenham como foco os seguintes temas: a) as práticas de leitura, escrita, oralidade e análise linguística; b) o trabalho com o livro didático; c) metodologias de ensino de língua portuguesa etc. A partir desses eixos, que desdobram o objetivo do simpósio, pretendemos discutir como tem sido realizado o ensino da língua portuguesa e, consequentemente as concepções teóricas e/ou metodológicas que se têm firmado na escola a partir da formação do professor.

12. DIVERSIDADE E LINGUAGEM

Profa. Dra. Franciele Monique Scopetc dos Santos (UFMA)

RESUMO: A Diversidade como ação, efeito ou produto das diferenças, da pluralidade e das múltiplas formas de percebermos e dizermos que o mundo é o eixo articulador deste simpósio temático. Diversidade Cultural, Étnica-racial, sexual, cultural conformam a linguagem e a língua em dimensões sociais, econômicas, históricas, e, inclusive, morfológicas. A epistemologia feminista confronta o lugar da linguagem na subjetividade e nas diferenças. O androcentrismo teórico, caracterizado pelo colonialismo e, sobretudo, pela branquitude são elementos que cabem à linguagem pensar, repensar e recriar. As narrativas de si, os feminismos os Estudos culturais, dentre outros, são os eixos de interdisciplinaridade com campo da língua e da linguagem que serão debatidos neste simpósio. A linguística Queer, o Multiculturalismo, as relações étnico-raciais e as negritudes, os estudos de gênero, do mesmo modo a linguagem como campo amplo de interrelações, aproximações e diásporas com as diversidades e os direitos humanos.

13. ANÁLISE DO DISCURSO

Prof. Dr. José Antônio Vieira (Faculdade Pitágoras/ Faculdade Waldir Filho)

RESUMO: O simpósio em Análise do Discurso é um espaço de apresentação de trabalhos que problematizem os processos de construção de textos e discursos. Isso compreendendo que primeiro é o resultado de uma ação ou prática social, enquanto o segundo é o produto da atividade discursiva que toma como a produção discursiva e os efeitos de sentido da construção sobre a qual o analista pode buscar, em sua superfície, as marcas que guiam a investigação científica. A ideia é criar espaço para os trabalhos que compreendem toda produção discursiva como uma construção social, refletindo sobre uma visão de mundo vinculada aos pesquisadores filiados às diferentes abordagens dos estudos discursivos que problematizam os sujeitos e a sociedade em que vivem a partir do contexto histórico-social e de suas condições de produção.

14. LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Prof. Dr. Ernesto Sérgio Bertoldo (UFU)

RESUMO: O ensino e a aprendizagem de uma língua estrangeira, já, há muito, ocupa a atenção de pesquisadores que se indagam sobre como os aprendizes, tornando aquilo que lhes parece, inicialmente, tão estranho em algo, familiar, aprendem uma língua estrangeira, recordando-nos do Unheimliche de Freud (1919) que, por sua vez, nos reporta à existência de uma estranheza psíquica. Assim, as pesquisas mais recentes sobre o ensino e a aprendizagem de línguas estrangeiras tomam como pressuposto que essa aprendizagem requer do aluno uma demanda psíquica considerável, uma vez que ele está sujeito a sofrer deslocamentos identitários ao se defrontar com uma língua outra. O interesse nesse aluno se volta para como se configuram os fatores que estão em jogo no(s) processos de identificação pelos quais passa esse aprendiz ao entrar em contato com discursividades diferentes daquelas da sua língua materna. É sob essa óptica que se torna produtivo falar em sucesso (ou não) no processo de ensino e de aprendizagem de uma LE, dado que tal óptica possibilita problematizar, dentre outros aspectos, teorias de aprendizagem e metodologias de ensino. Essa problematização se viabiliza, possibilitando outros olhares, porque é feita pela via de estudos que levam em conta questões relativas à constituição identitária do aluno, considerando, assim, que o processo de ensino e aprendizagem pressupõe a (re)significação de sua identidade e, em decorrência, dos processos implicados na complexidade de se ensinar e de se aprender uma LE. Sob essa óptica, esse Simpósio propõe discutir trabalhos de pesquisa que levam em conta essa perspectiva do processo de ensino e de aprendizagem de línguas estrangeiras, problematizando suas implicações para a sala de aula, para a prática do professor e para a sua formação docente, dentre outros aspectos que esse olhar outro possa elucidar.

15. TEXTO E ENSINO

Prof. Dr. Paulo da Silva Lima (UFMA)

RESUMO: O ensino de língua portuguesa, no Brasil, vem ao longo de sua história sofrendo algumas modificações em relação às perspectivas teóricas que o sustentam. Mais atualmente, desde a década de 1980, publicações como a organizada por Geraldi (1984), tendo como base a concepção sociointeracionista da linguagem, vêm alardeando que o texto seja tomado como objeto de ensino, não só para a leitura e a escrita/oralidade, mas também para o ensino de gramática (análise linguística). Mas, nesses mais de trinta anos, em muitas escolas brasileiras, principalmente nas públicas, ainda é comum o texto ser usado apenas como pretexto para o ensino de nomenclaturas e de regras gramaticais, que em quase nada auxiliam o aluno na reflexão sobre esses mecanismos linguísticos e sua importância para a leitura e a produção textual. Além disso, em muitos casos, a falta de dialogismo (no sentido bakhtiniano) nas atividades que envolvem a escrita/oralidade na escola tem tornado a produção textual algo insignificante. Isso se deve porque, geralmente, o texto que o aluno produz só tem serventia para o professor corrigir os problemas superficiais (como pontuação e ortografia) e lançar uma nota ou conceito, sem que isso proporcione um momento de interação verbal. No entanto, conforme Geraldi (2007), é preciso que o ambiente escolar se torne um local onde as práticas de linguagem se desenvolvam verdadeiramente, sendo o texto, com isso, o produto dessas produções discursivas. Deve-se mencionar também que durante muitos anos o nosso ensino de língua materna esteve pautado numa classificação geral dos textos, ou seja, na concepção das tipologias que, muitas vezes, não refletem a classificação de determinados gêneros, devido a sua pluralidade tipológica. Com isso, nosso tratamento ao texto em sala de aula esteve bastante voltado para as tipologias textuais clássicas: narração, descrição e argumentação. No entanto, a partir dos anos de 1990 documentos oficiais que regem nosso ensino, como Os parâmetros Curriculares Nacionais, passaram a preconizar que, na sala de aula, o texto deve ser trabalhado numa perspectiva discursivo-enunciativa. Nesse sentido, as orientações pautadas nas tipologias e no ensino monológico passam a dar lugar aos gêneros textuais/discursivos e à dialogia na sala de aula. O ensino de linguagem, com base nos gêneros, necessita de uma verdadeira mudança teórica e prática por parte da escola e dos professores. E isso se deve porque trabalhar numa perspectiva dialógica exige mais tempo para o professor preparar suas aulas, requer que o ambiente escolar disponha de mais recursos e, também, exige dos alunos uma mudança de perspectiva em relação à leitura e à produção textual. E é justamente em meio a discussões de mudança e outras possibilidades para o trabalho com gêneros textuais em sala de aula que se enquadra esse simpósio.

16. PESQUISAS EM ANÁLISE LINGUÍSTICA: TEORIA E APLICAÇÕES

Prof. Dr. Luís Henrique Serra
Profa. Dra. Georgiana Márcia Oliveira Santos

RESUMO: O Simpósio recebe trabalhos na área da Análise Linguística teórica e aplicada, feitos em diferentes níveis da língua, do fonológico ao discursivo. O Simpósio tem o objetivo de receber trabalhos interessados na análise linguística, tanto discussões teórico-metodológicas quanto discussões sobre considerações aplicadas das diferentes teorias da Linguística como campo científico de estudos da Língua. Nesse sentido, os trabalhos podem apresentar resultados de pesquisa dentro da Linguística desenvolvidas em níveis de graduação, por meio de programas institucionais de iniciação científica, e em nível de pós-graduação, trabalhos desenvolvidos em nível de mestrado, doutorado e/ou pós-doutorado.

17. SOCIOLINGUÍSTICA

Prof. Me. Wendel da Silva Santos (UFMA)

18. LÍNGUAS E NARRATIVAS ORAIS INDÍGENAS: VITALIZAÇÃO E INTERPRETAÇÕES

Profa. Dra. Áustria Rodrigues Brito (UNIFESSPA)
Prof. Me. Thiago Silva e Silva (IFMA)

RESUMO: A partir de dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO (2009) a extinção das línguas indígenas é um fato cada vez mais presente no mundo atual. Segundo cálculos feitos pelos especialistas, grande parte dos idiomas atualmente em uso deixará desaparecerá dentro de uma a quatro gerações. Diante disso, é imperioso salvaguardar o maior conhecimento possível dessas línguas, para que a posteridade não perca por completo a riqueza desse aspecto da diversidade humana e da sua herança cultural. Objetivamos neste Simpósio discutir sobre as ações de vitalização linguística aplicada em algumas comunidades indígenas que se encontram com as línguas em estágio de obsolescência e também apresentar reflexões sobre comunidades indígenas que mantiveram sua língua materna e/ou se tornaram bilíngues. Pretendemos ainda propor análises e interpretações sobre as narrativas orais de algumas comunidades indígenas, investigando as relações entre essas narrativas, a cultura e a identidade de cada comunidade. Partimos de uma perspectiva de que a literatura vai além do texto escrito, alcançando as inúmeras manifestações culturais como o canto e as narrativas tradicionais. Para fomentar essas discussões nos pautamos em Rodrigues (2000, 2005), Maher (2010), Monserrat (2006), Seky (1984), Fishman (1991), Dorian (1989), Crystal (2000) Thomason (2001), Thomason e Kaufman (1988), Hinton (2001), Munduruku (2014), Bonnici (1998), Candido (1995). Nessa esteira, esse Simpósio Temático discutirá aspectos da valorização da oralidade e culturas indígenas, direitos linguísticos, ensino de língua, tanto no que tange à língua portuguesa quanto às línguas indígenas, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento de ações sociais de apoio aos grupos ameaçados em seus direitos linguísticos, partindo do pressuposto fundamental de que os diferentes falares e a diversidade linguística são inerentes às sociedades humanas em todo o mundo.

19. MULTILINGUISMO

Prof. Dr. Gabriel Antunes de Araújo (Universidade de Macau)

20. Literatura e Outras Artes

Prof. Dr. Fábio José Santos de Oliveira

RESUMO: Os estudos tradicionais sobre a relação entre a Literatura e Outras Artes quase sempre põem em movimento um campo terminológico movido pelo ut pictura poesis (“a poesia é como uma pintura”) de Horácio (65 a.C-8 a.C.), ou o paragone do Renascimento, ou a fusion de arts de Delacroix (1798-1863), ou a ekphrasis retórica, entre outros. Quase sempre esses estudos têm como foco de pesquisa apenas a relação entre o texto literário e a pintura. Acontece que, com as mais diversas inovações tecnológicas aparecidas ao longo do século XX, tornou-se inevitável não incluir nos estudos interartes produções realizadas nas mais diversas mídias (no geral sintetizadas sob o signo da intermidialidade), muitas das quais não incluídas nos parâmetros de uma teoria mais tradicional. Atualmente, o pesquisador que lida com a relação interartes tem diante de si um amplo espectro de possibilidades epistemológicas e hermenêuticas. Levando em conta essa importância que os estudos interartes têm apresentado ao longo da história e ainda apresentam na contemporaneidade, o Simpósio de “Literatura e Outras Artes” pretende acolher estudos teóricos e/ou crítico-analíticos sobre a Literatura e os mais diversos meios artísticos (pintura, cinema, fotografia, gravura, arquitetura, teatro, etc.), quer seja através das tradicionais discussões estético-semióticas, quer seja através de discussões das obras como produtos culturais.