1. LITERATURA, CARNAVALIZAÇÃO E DIVERSIDADE: O espaço da voz das maiorias minorizadas

Rubenil da Silva Oliveira (UFMA)
Érica Fernandes Alves (UEM)
Renata Cristina Cunha (UESPI)

RESUMO: Bahktin em seus escritos questiona acerca do psiquismo da linguagem e da relação entre o Eu-Outro nos múltiplos contextos da vida humana, inclusive no tocante à escrita da literatura como a linguagem profunda capaz de evocar os sentimentos mais profundos assim como é a festa carnavalesca. É na busca desse poder de evocação da literatura que se quis negar, dar a condição de apócrifa, marginal, menor, que o presente Simpósio busca dar voz à literatura de autoria das maiorias minorizadas e/ou que traz esses grupos sociais como personagens. Para isso, agregará investigações as quais estejam inscritas na literatura LGBTQIA+, literatura africana, afro-brasileira, afro-americana e caribenha ou hispano-americana, incluindo as periferias e outros espaços subalternizados nos diferentes períodos históricos e nos vieses da abordagem dos estudos culturais e pós-coloniais.

PALAVRAS-CHAVE: Abordagem literária. Maiorias minorizadas. Diversidade étnica e sexual.

2. DO SOM AO TEXTO: ESTUDOS SOBRE TEORIA, DESCRIÇÃO E ANÁLISE LINGUÍSTICA

Profa. Dra. Georgiana Márcia de Oliveira Santos (UFMA)
Profa. Dra. Theciana Silva Silveira (UFMA)

RESUMO: Este Simpósio objetiva reunir estudos realizados sobre teoria, descrição e análise dos diversos componentes do português brasileiro – PB com base no entendimento do funcionamento da língua como um sistema complexo e aberto, sujeito a inúmeras modificações ocasionadas por fatores internos e externos. Assim sendo, pretende reunir pesquisas que abranjam as áreas do Léxico geral e especializado, Fonética, Fonologia, Morfologia, Sintaxe, Semântica e Pragmática a partir das perspectivas formal, empírico-descritiva e experimental que considerem a variação, a mudança e o contato linguísticos. Não se pode deixar de pensar, nesse sentido, em como esses estudos dialogam amplamente entre si, colaborando e enriquecendo o conhecimento sobre o sistema linguístico como um todo, além de como a Linguística tornou-se uma grande área de conhecimentos a partir desses diálogos. Considerando essa possível interação e as diferentes pesquisas produzidas hoje no Brasil e fora do país, este simpósio recebe propostas de pesquisas na área da teoria, descrição e da análise dos variados níveis linguísticos do PB a fim de proporcionar um diálogo entre as diferentes áreas da Linguística e de outras áreas afins e ratificar a colaboração entre as diferentes reflexões sobre a língua.

3. O CARNAVAL E A CARNAVALIZAÇÃO NA LITERATURA

Prof.ª Dr.ª Lucélia Almeida (PPGLB/UFMA)
Prof. Me. Francinaldo Pereira da Silva (UEMA)

RESUMO: Tomemos como ponto de partida o pensamento de Bakhtin sobre “a influência determinante do Carnaval na literatura. O carnaval propriamente dito [...] não é, evidentemente, um fenômeno literário. É uma forma sincrética de espetáculo. [...] É a transposição do carnaval para a linguagem da literatura que chamamos carnavalização da literatura. O carnaval é um espetáculo sem ribalta e sem divisão entre atores e espectadores. No carnaval todos são participantes ativos, todos participam da ação carnavalesca. [...] não se contempla [...] nem se representa o carnaval, mas vive-se nele, e vive-se conforme as suas leis. [...] Esta é uma vida desviada da sua ordem habitual, em certo sentido, uma “vida às avessas’, ‘um mundo invertido’”. (BAKHTIN, 2010, p.139-140, com alterações, grifos do autor). Nesse sentido o presente simpósio visa receber trabalhos de diversos gêneros literários (contos, crônicas, romances, poemas, teatro etc), que abordem os aspectos da cosmovisão carnavalesca na literatura, em que “a livre relação familiar estende-se a tudo: a todos os valores, ideais, fenômenos e coisas. Entram nos contatos e combinações carnavalescas todos os elementos antes fechados, separados. [...] o carnaval aproxima, reúne, celebra os esponsais e combina o sagrado com o profano, o elevado com o baixo, o grande com o insignificante, o sábio com o tolo etc.” (BAKHTIN, 2010, p. 141).

4. LITERATURA CONTEMPORÂNEA E ESTADO DE EXCEÇÃO: FICÇÃO, HISTÓRIA E MEMÓRIA

Dr. Cacio José Ferreira (UFAM)
Dr. Norival Bottos Júnior (UFAM)

RESUMO: Pretende-se discutir o tema do estado de exceção e o papel da memória como norma para o testemunho nas obras literárias contemporâneas. De início, busca-se a distinção entre “vida nua” (zoé) e “vida humana” (bios), desde a distinção de Aristóteles até a definição moderna de biopolítica, de Michel Foucault (2007), mas, sobretudo, da noção que faz do termo o filósofo Giorgio Agamben (2008). A noção de “resto”, aliado ao tema da memória para Giorgio Agamben, Jacques Derrida e Michel Foucault, será importante para que se situe alguns dos pressupostos a respeito da literatura contemporânea e sua relação estreita com a ideia de sobrevivência, ou seja, que tipo de testemunho é possível na contemporaneidade e que seja capaz de fazer justiça ao conceito de estado de exceção, no sentido de um “supertestis” - aquele que testemunha na condição de um terceiro, de um estrangeiro, ou mesmo uma figura intervalar entre diferentes culturas - o estado de exceção, na literatura produzida nas ultimas décadas, teria então a possibilidade de tratar sobre a experiência do inaudito do campo de concentração a partir de um espaço privilegiado, a saber, o testemunho impossível do “outro”. Nessa perspectiva, esse simpósio acolhe trabalhos que tematizam o estado de exceção e o papel da memória como norma para o testemunho nas obras literárias contemporâneas, em prosa e poesia.

5. SIMPÓSIO DE LITERATURA E VISUALIDADE

Prof. Dr. Fábio José Santos de Oliveira (UFS/ PPGL-UFS/ PPGLB-UFMA)
Prof. Dr. Franco Baptista Sandanello (AFA/ UFSCar/ PPGLB-UFMA)

RESUMO: Os estudos tradicionais sobre a relação entre a Literatura e as artes da visualidade geralmente põem em movimento um campo terminológico movido pelo ut pictura poesis (“a poesia é como uma pintura”) divulgado pelo Renascimento a partir de Horácio (65 a.C-8 a.C.), pela ekphrasis retórica ou pelo pictorialismo imagético. Praticamente todos esses estudos têm como foco de pesquisa a relação entre o texto literário e as artes plásticas. Ocorre que, atualmente, o pesquisador que lida sobre o domínio interartes (no campo da visualidade) tem diante de si um amplo espectro de possibilidades epistemológicas e hermenêuticas, mesmo em se tratando de objetos que alguns considerariam tradicionais e ultrapassados. Levando em conta essa importância que os estudos interartes têm apresentado ao longo da história e ainda apresentam na contemporaneidade, o simpósio de “Literatura e Visualidade” pretende acolher estudos teóricos e/ou crítico-analíticos sobre a relação entre Literatura e alguns meios plástico-visuais (pintura, gravura, xilogravura, desenho, fotografia, gravura e arquitetura), quer seja através das tradicionais discussões estético-semióticas, quer seja através de discussões das obras como produtos culturais. Ressalta-se que o Simpósio avaliará apenas as propostas em que conste efetivamente no mínimo uma obra literária, consagrada ou não pela crítica.

6. LEITURA LITERÁRIA E INTERCULTURALIDADE: POSSÍVEIS RELAÇÕES NO CONTEXTO DE ENSINO

Profa. Dra. Michelle Mittlestedt Devides (IFMT – Campus Primavera do Leste)
Profa. Ma. Patrícia Antonino da Silva Batista (IFSP – Campus Avaré)

RESUMO: As experiências de leitura literária na formação do sujeito leitor são, por vezes, decorrentes de práticas de leituras proporcionadas pela educação escolar. Por isso, entendemos que a relação entre a literatura e a interculturalidade, inserida no contexto escolar, favorece experiências de leitura literária que enfatizam a alteridade, a cultura, a história e a diversidade, ampliando os horizontes de leitura de uma comunidade de leitores, logo, enriquecendo as experiências literárias. Para induzir ou desenvolver a leitura, sobretudo aquela praticada em sala de aula, é preciso perceber que os indivíduos se inserem em uma comunidade, com aspectos culturais muito peculiares, no qual cada um pode realizá-la sob caminhos variados e baseados em sua experiência de mundo, de acordo com Paulo Freire (2001). Mas o que é possível indagar sobre esse leitor durante suas experiências de leitura? Concordamos com Paulo Freire ao afirmar que “Ninguém educa ninguém, como tão pouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1983, p. 79). Assim, a construção desse leitor, desse sujeito, vai além da literatura como conteúdo escolar, deve promover sua comunhão com o mundo. A partir da concepção de Antonio Candido, em sua obra Literatura e Sociedade (2006, p.74), de que “a literatura é um sistema vivo de obras agindo umas sobre as outras e sobre os leitores; e só vive na medida em que estes a vivem, decifrando-a, aceitando-a, deformando-a” – o objetivo deste simpósio é reunir textos que abordem temas pertinentes ao ensino da literatura, à educação literária, ao letramento literário, à educação intercultural, à formação do sujeito leitor, assim como à sua presença em diversos espaços virtuais da atualidade, pelo viés da literatura. As discussões neste simpósio têm a intenção de dialogar, crítica e construtivamente, com a Literatura, Interculturalidade e Ensino pensados de modo inter e/ou transdisciplinar. Portanto, acreditamos que a literatura nos atravessa com diferentes experiências para construirmos a nossa. “A literatura não é uma experiência inofensiva” (CANDIDO, 2011, p.178), ela amplia a visão de mundo e nos dá condições de visibilidade.

7. LITERATURA E INTERCULTURALIDADE

Prof. Dr. Dílson César Devides (UFMT/CUA)
Profa. Dra. Marinete Luzia Francisca de Souza (UFMT/CUA)

RESUMO: Entendendo, de modo genérico, a interculturalidade como o estudo das manifestações oriundas das relações entre culturas e linguagens manifestadas em obras/produtos artísticos; este simpósio pretende receber comunicações que versem sobre o modo como a literatura vem sendo estudada e discutida em suas relações com outras áreas e saberes e como, dessas relações, vêm surgindo zonas fronteiriças de estudo. Assim, pensar as novas configurações da literatura em novos suportes (videogames, internet, redes sociais), as conexões entre o regional e o universal, os espaços híbridos de representação cultural, por fim, pensar questões atuais sobre a literatura, por exemplo, de refugiados, de migrantes e de grupos específicos (que envolvam questões indígenas, de orientação sexual e de gênero) e outras de premente importância para a compreensão convivência humana.

8. ANÁLISE DO DISCURSO

Prof. Dr. José Antônio Vieira (UEMA)
Profª Drª Glória França
Tyara Veriato Chaves

RESUMO: O simpósio em Análise do Discurso é um espaço de apresentação de trabalhos que problematizam os processos de construção de textos e discursos. Isso compreendendo que o primeiro é o resultado de uma ação ou prática social, enquanto o segundo é o produto da atividade discursiva que toma como resultado a produção discursiva e os efeitos de sentido da construção sobre a qual o analista pode buscar, em sua superfície, as marcas que guiam a investigação científica. A ideia é criar espaço para os trabalhos que compreendem toda produção discursiva como uma construção social, refletindo sobre uma visão de mundo vinculada aos pesquisadores filiados às diferentes abordagens dos estudos discursivos que problematizam os sujeitos e a sociedade em que vivem a partir do contexto histórico-social e de suas condições de produção. Serão aceitos trabalhos que mobilizem conceitos provenientes dos campos dos estudos do discurso. Análises que pensem a construção sócio- histórica e política dos processos de significação em diferentes materialidades verbais e não-verbais.

9. ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Mariana Aparecida de Oliveira Ribeiro
Prof. Dr. Enio Sugiwama Júnior (UFOB)

RESUMO: Este simpósio visa reunir apresentações de comunicações que problematizem o ensino de Língua Portuguesa. Nesse sentido, interessam os trabalhos que tenham como foco os seguintes temas: a) as práticas de leitura, escrita, oralidade e análise linguística; b) o trabalho com o livro didático; c) metodologias de ensino de língua portuguesa etc. A partir desses eixos, que desdobram o objetivo do simpósio, pretendemos discutir como tem sido realizado o ensino da língua portuguesa e, consequentemente as concepções teóricas e/ou metodológicas que se têm firmado na escola a partir da formação do professor.

10. (MULTI) LETRAMENTOS E ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA

Profª. Me. Samara Santos Araujo (UFMA)
Profª. Me. Zuleica de Sousa Barros (UFMA)

RESUMO: Tem-se como proposta para este seminário temático (ST) reunir pesquisas em andamento ou concluídas que investiguem de forma teórica, crítica e analítica questões relacionadas aos (multi) letramentos e sua relação com ensino de língua e literatura. Os trabalhos devem estar alinhados às discussões dos letramentos: multiletramentos, letramento linguístico, letramento literário e letramento digital ambientados na perspectiva do processo de ensino de língua (primeira ou segunda língua) e literatura (nacional ou estrangeira). Serão também aceitas propostas que apresentem investigações mais voltadas aos mecanismos de ensino de língua e literatura no atual contexto de ensino remoto e/ou híbrido, alicerçadas no letramento digital e no trabalho com textos multimodais. O simpósio garante, ainda, espaço para discussões que apresentem as seguintes relações: alfabetização e letramento e gêneros textuais e letramento. Dessa forma, este ST se propõe a oferecer um espaço múltiplo de compartilhamento de experiências e discussões acerca das categorias de: letramento (s), ensino, língua e literatura, apresentadas de maneira relacional, dialógica e interativa em diferentes contextos de aplicação. Nesse sentido, espera-se que a realização deste ST sirva, de maneira geral, como um locus de fortalecimento articulatório entre o ensino de língua e literatura, agregando olhares acadêmicos diversos.

PALAVRAS-CHAVE: (Multi) Letramentos. Ensino. Língua. Literatura

11. LÍNGUA, LITERATURA E ENSINO: DA TEORIA ÀS PRÁTICAS, OLHARES QUE SE INTERCRUZAM

Profa. Dra. Katia Cilene Ferreira França (UFMA)
Prof. Dra. Heloísa Reis Curvelo (UFMA)

RESUMO: O presente simpósio tem como objetivo suscitar discussões sobre o ensino de língua e literatura, a partir de uma abordagem dialógica e da concepção de linguagem como forma de interação. Objetiva fomentar gestos de leitura sobre práticas pedagógicas de ensino, nesse sentido serão aceitos trabalhos, de ordem teórica e prática, relatos de experiência com reflexões sobre (i) a aula de Português ou de Espanhol como acontecimento discursivo, (ii) o trabalho com metodologias ativas em diferentes espaços de ensino presencial ou virtual, (iii) a gamificação na sala de aula. Este simpósio busca conhecer pesquisas sobre práticas de professores e futuros professores de literatura e língua portuguesa e espanhola, principalmente cenário educacional marcado pelo distanciamento social em que estamos inseridos, busca promover um encontro de pontos de vista, fazer a escuta atenta desses olhares como respostas que motivam novas reflexões.

12. Ficção Científica Ontem e Hoje: Diálogos Possíveis

Dra.Naiara Sales Araújo (UFMA)
Ma. Jucélia de Oliveira Martins (UFG/UFCAT)

RESUMO: O presente simpósio tem como objetivo levantar discussões em torno da Ficção Científica Literária e suas interfaces. Em território nacional, a literatura de ficção científica foi moldada de acordo com aspectos históricos e culturais inerentes ao povo brasileiro. Em outras palavras, a experiência literária do escritor foi não somente estética, mas também a expressão de sua percepção da sociedade como um ato discursivo e ideológico no qual pode-se explicitar um sentimento coletivo de medo, curiosidade e ao mesmo tempo um desejo de mudança que poderia vir a partir do processo de modernização comungado aos avanços tecnológicos. Nesta perspectiva, escritores de diferentes gerações compartilharam a dificuldade de assegurar uma identidade nacional própria e distintiva, dentro do universo literário especulativo. Mesmo em situações adversas, é correto afirmar que desde o começo, o gênero surgiu como uma arma de combate em favor de uma nacionalidade autêntica. Dessa forma, havia entre alguns escritores um sentimento paradoxal oscilante expresso na dicotomia da utopia/distopia. Neste simpósio, abriremos espaço para as mais variadas reflexões que contemplam a literatura de ficção científica e seu diálogo com o desenvolvimento tecnológico bem como suas interfaces e interações com outras artes.

13. O Contato Linguístico em diferentes perspectivas

Profº. Drº. Wellington Santos da Silva (UFRJ)

RESUMO: A história dos povos humanos sempre foi marcada por movimentos populacionais e pelos contatos interétnicos, com respectivos resultados nas línguas por eles faladas. Um exemplo disso é o próprio proto indo-europeu, o qual, inicialmente falado numa região meridional da Rússia, foi levado para outras regiões da Europa e da Ásia por movimentos migratórios, sendo o contato linguístico um dos fatores que levaram à diversificação da família linguística (CÂMARA JR., 1972). Entretanto, por muito tempo, a problemática do contato foi tratada de maneira secundária no campo da Linguística Histórica tradicional: os trabalhos em torno do método histórico-comparativo, proeminentes no século XIX, excluíam do seu campo de observação as propriedades gramaticais oriundas de empréstimo; em um contexto semelhante, emerge aquilo que DeGraff (2003) chamará de “perspectiva excepcionalista” sobre a origem das línguas pidgins e crioulas, as quais, por muito tempo, foram vistas como descendentes degenerados das línguas europeias, fósseis linguísticos, variedades formadas por processos excepcionais de mudança etc. Entretanto, desde meados do século passado, o contato linguístico tem assumido um certo protagonismo nos estudos linguísticos, sobretudo em países com uma longa história colonial – como Brasil, Haiti, Angola, Moçambique etc. –, dado que, nesses espaços, os movimentos populacionais e as políticas escravagistas tiveram como efeito profundos contatos interétnicos. Neste sentido, convidamos a participar deste simpósio pesquisadores atuantes nas diferentes perspectivas de estudo do contato linguístico – substratistas, superstratistas, uniformitaristas etc. –, abrindo espaço para investigações sobre diferentes línguas – como o contato entre o português e línguas africanas/línguas indígenas; a situação linguística em comunidades de imigrantes; entre outros. –, tanto na sincronia quanto na diacronia. Também são bem-vindos trabalhos que utilizem a perspectiva do contato para trabalhar questões atinentes ao ensino de primeira e segunda língua. Espera-se, com isso, fortalecer ainda mais os estudos no âmbito da Linguística de Contato, à luz de importantes debates teóricos e metodológicos.

14. DISCURSO, TEXTO E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Profa. Dra. Valnecy Oliveira Corrêa-Santos (UFMA)
Prof. Me. Geová Bezerra Guimarães (IFAM)
Profa. Dra. Sulemi Fabiano Campos (UFRN)

RESUMO: O Simpósio Discurso, texto e ensino de Língua Portuguesa objetiva reunir trabalhos de pesquisa que tematizem práticas de leitura e de escrita no ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica. O propósito é estabelecer um diálogo sobre o que se tem constituído como práticas de ensino de Língua Portuguesa, sobretudo, por meio de trabalhos que problematizem de que forma o discurso e o texto se constituem objetos nesse processo e de que maneira a constituição da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) interpela as práticas docentes. Neste simpósio, espera-se estabelecer um ambiente aberto à reflexão e ao diálogo sobre práticas e objetos de ensino e sobre formação docente. Ao propor a construção deste espaço de interação, compreendemos o discurso como base estruturante do dizer; texto como unidade básica de interação entre sujeitos e ensino como espaço de constituição e de apropriação de conhecimentos, o que, em se tratando do ensino de Língua Portuguesa, envolve práticas que favoreçam ao aluno ampliar seu conhecimento sobre a língua, enquanto mecanismo de interação nas práticas sociais, e compreender a língua como elemento sócio-histórico e cultural. O simpósio está, assim, aberto para compartilhar resultados de trabalhos desenvolvidos, dialogar sobre pesquisas em desenvolvimento e fomentar novas pesquisas e práticas de ensino de Língua Portuguesa. Nessa perspectiva, temos como interlocutor previsto professores da educação básica, estudantes de graduação e de pós-graduação em Letras, Pedagogia, Educação, Políticas Públicas e áreas afins.

PALAVRAS-CHAVE: Texto. Discurso. Ensino de Língua Portuguesa. Práticas de ensino. Base Nacional Comum Curricular.

15. OS CAMINHOS DA FICÇÃO ESPECULATIVA NA LITERATURA E EM OUTRAS ARTES

Dra.Naiara Sales Araújo (UFMA)
Me. José Antonio Moraes Costa (SEMED/UNDB)

RESUMO: A origem do termo Ficção Especulativa é atribuído a Robert Heinlein que em 1947 explicitou este termo como alternativa para Ficção Científica. Apesar de só mais recentemente ter havido uma explosão de produções literárias, visuais e/ou audiovisuais veiculadas à Ficção Especulativa, a verdade é que essa categoria ficcional tem raízes bem mais antigas. As primeiras obras de ficção especulativa no campo a Fantasia, por exemplo, são marcadas pela epopeia de Gilgamesh e os escritos de Beowulf. Essas produções prefiguram-se como composições literárias em que se especula as possibilidades de mundos imaginários. No lado da Ficção Científica, os debates especulativos circundaram os escritos de Frankenstein” de Mary Shelley, 1835. Para as obras de horror fantástico que também se incluem no campo especulativo, existe uma sobreposição com os gêneros da fantasia e da ficção científica, seja criando monstros míticos e antigos como o Chtulhu ou aliens. Nesse contexto, o presente simpósio tem como objetivo levantar discussões sobre como a ficção especulativa se apresenta no campo da literatura e em outras artes. Nesse sentido, importa destacar que compreendemos a ficção especulativa como narrativas que tendem a provocam, no leitor, telespectador e/ou nas personagens, mecanismos de intensas reflexões acerca do universo natural ou sobrenatural de uma história. Diante disso, vale evidenciar que a ficção especulativa corresponde a uma categoria ficcional com extensa abrangência de gêneros diversos, dos quais destacamos a ficção científica, o fantástico, o horror, a fantasia, o realismo mágico, dentre outros. Diante desse cenário, neste simpósio, oportunizaremos espaço para reflexões diversas que contemplem a literatura de ficção especulativa no âmbito literário e os seus mecanismos de interações com outras artes.

16. FORMA(S) DO ENCONTRO E DO DESENCONTRO NO FAZER ARTÍSTICO-LITERÁRIO: DINÂMICAS DA IRONIA E DA TRANSGRESSÃO

Antonio Aílton Santos Silva (UEMA/ SEDUC - MA)
Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (UFMA)
Thaís Rabelo de Souza (PPGL/ UFPE)

RESUMO: O encontro com o outro, o não-eu, o diferente, nunca é pacífico. Em todos os âmbitos, das instâncias subjetivas à coletividade, a alteridade surge em forma de ranhura, estranhamento, fratura prévia, que pode se estabelecer um diálogo possível, em termos de convivência, ou mesmo o confronto tenso, resolvido no espaço do transgressivo, do irônico, do esquizofrênico. Desde a modernidade a dialética da transgressão e da ironia nas artes, na literatura, na poesia tornaram-se não apenas patentes, mas a própria marca do moderno (KRYSINSKI; PAZ). Os encontros e confrontos de concepções, formas e linguagens, foram resolvidos em termos de carnavalização, apropriação, assimilação, antropofagia, chamada para o terreiro e para a praça. Porém, como têm se dado, dialogado esses encontros desde então e dentro dos possíveis de hoje? De que modo as concepções, as formas, as estéticas, as linguagens dialogam e se dialetizam nos cruzamentos e encruzilhadas do contemporâneo, ante as novas formas do próprio ser da arte, a reivindicação de novas vozes, comunidades e lugares, a recusa ao jugo da subalternidade, a heterogeneidade e a denúncia de todas as formas de violência? É neste sentido que o Grupo de Pesquisa Formas e Poéticas do Contemporâneo (GFOPCO) abre este simpósio como clareira, praça e espaço para todas essas discussões.

17. FUNCIONALISMO LINGUÍSTICO: DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO PORTUGUÊS

Prof.ª Joelma Pereira Silva (UFMA)

RESUMO: O simpósio de Funcionalismo Linguístico visa reunir trabalhos voltados para as mais recentes tendências de pesquisas na área da Linguística Funcional que contemplem a discussão de seus aspectos teóricos e metodológicos aplicados à descrição e à análise do português. Os estudos da linguagem no âmbito funcionalista consideram que toda comunicação através de uma língua subjaz um arranjo pragmático. Essa noção de pragmática diz respeito à organização do discurso e revela que a disposição de um enunciado é motivada parte pelo que o falante quer dizer, parte do que ele entende que o interlocutor precisa entender. A abordagem Funcionalista procura explicar as regularidades observadas no uso interativo da língua analisando as condições discursivas em que se verifica esse uso. Os domínios da sintaxe, da semântica e da pragmática são relacionados e interdependentes. Ao lado da descrição sintática, cabe investigar as circunstâncias discursivas que envolvem as estruturas linguísticas e seus contextos específicos de uso. Segundo a hipótese Funcionalista, “a estrutura gramatical depende do uso que se faz da língua, ou seja, a estrutura é motivada pela situação comunicativa. Os usos da língua, ao longo do tempo, é que dão forma ao sistema”. (CUNHA et al, 2003). Portanto, o Funcionalismo se caracteriza por investigar a língua em uso, buscando compreender como os aspectos cognitivos e comunicativos envolvidos na comunicação humana condicionam a organização e o funcionamento linguístico. São bem-vindos textos que empreguem a abordagem funcional da gramática na análise de fenômenos linguísticos, em perspectiva sincrônica e/ou diacrônica.

PALAVRAS-CHAVE: Funcionalismo. Gramática. Língua em Uso.

18. TEXTO E ENSINO

Prof. Dr. Paulo da Silva Lima (UFMA)

RESUMO: O ensino de língua portuguesa, no Brasil, vem ao longo de sua história sofrendo algumas modificações em relação às perspectivas teóricas que o sustentam. Mais atualmente, desde a década de 1980, publicações como a organizada por Geraldi (1984), tendo como base a concepção sociointeracionista da linguagem, vêm alardeando que o texto seja tomado como objeto de ensino, não só para a leitura e a escrita/oralidade, mas também para o ensino de gramática (análise linguística). Mas, nesses mais de trinta anos, em muitas escolas brasileiras, principalmente nas públicas, ainda é comum o texto ser usado apenas como pretexto para o ensino de nomenclaturas e de regras gramaticais, que em quase nada auxiliam o aluno na reflexão sobre esses mecanismos linguísticos e sua importância para a leitura e a produção textual. Além disso, em muitos casos, a falta de dialogismo (no sentido bakhtiniano) nas atividades que envolvem a escrita/oralidade na escola tem tornado a produção textual algo insignificante. Isso se deve porque, geralmente, o texto que o aluno produz só tem serventia para o professor corrigir os problemas superficiais (como pontuação e ortografia) e lançar uma nota ou conceito, sem que isso proporcione um momento de interação verbal. No entanto, conforme Geraldi (2007), é preciso que o ambiente escolar se torne um local onde as práticas de linguagem se desenvolvam verdadeiramente, sendo o texto, com isso, o produto dessas produções discursivas. Deve-se mencionar também que durante muitos anos o nosso ensino de língua materna esteve pautado numa classificação geral dos textos, ou seja, na concepção das tipologias que, muitas vezes, não refletem a classificação de determinados gêneros, devido a sua pluralidade tipológica. Com isso, nosso tratamento ao texto em sala de aula esteve bastante voltado para as tipologias textuais clássicas: narração, descrição e argumentação. No entanto, a partir dos anos de 1990 documentos oficiais que regem nosso ensino, como Os parâmetros Curriculares Nacionais, passaram a preconizar que, na sala de aula, o texto deve ser trabalhado numa perspectiva discursivo-enunciativa. Nesse sentido, as orientações pautadas nas tipologias e no ensino monológico passam a dar lugar aos gêneros textuais/discursivos e à dialogia na sala de aula. O ensino de linguagem, com base nos gêneros, necessita de uma verdadeira mudança teórica e prática por parte da escola e dos professores. E isso se deve porque trabalhar numa perspectiva dialógica exige mais tempo para o professor preparar suas aulas, requer que o ambiente escolar disponha de mais recursos e, também, exige dos alunos uma mudança de perspectiva em relação à leitura e à produção textual. E é justamente em meio a discussões de mudança e outras possibilidades para o trabalho com gêneros textuais em sala de aula que se enquadra esse simpósio.

19. "TANTO RIS(C)O, Ó QUANTA ARTESANIA, MAIS DE MIL LAÇOS NA CRIAÇÃO, O SIGNIFICANTE ESTÁ CHORANDO PELO LABOR DE ENIGMA... NO MEIO DA MULTIDÃO"

Dr. Adail Ubirajara Sobral (FURG-RS)
Dra. Márcia Cristina Maesso (UnB-DF)
Dr. Roberto Medina (UnB-DF)

RESUMO: O simpósio “Tanto ris(c)o, ó quanta artesania, mais de mil laços na criação, o significante está chorando pelo labor de enigma... no meio da multidão” se propõe às interfaces do “mundo às avessas” das artes, da escritura e dos discursos linguageiros como manifestação da condição humana nos campos literários, teatrais, cinematográficos, poéticos, culturais, psicanalíticos e tradutórios. No sentido de inversão da norma e da ordem, são dizeres que se apresentam no dito e não dito da cultura. Aquilo que provoca o sintoma e o desejo da escritura e do mais falar, requerendo escuta e responsividade ativa no presente-passado, nunca totais, mas provocadoras de tensão entre o eu e o tu, o eu e o mundo, o eu e o si mesmo como experiência de realidade individual e coletiva. Esse tensionamento nas artes/artesanias causa a pluralidade intencional de estilos e vozes, mistura o sublime e o vulgar, intercala gêneros, provocando uma mescla de dialetos, jargões, vozes, estilos, segundo Mikhail Bakhtin. Se não há a palavra adâmica, a realidade se mostra em movimento com novos arranjos de significantes e de significados por paródia, paráfrase, tradução e vozes autorais que se reorganizam para uma tentativa comunicacional, mediante os laços sociais que se estabelecem na contemporaneidade. Freud e Lacan apontam que o artista é detentor de um saber antecipado acerca da experiência humana e que existe certo universo oculto do artista implicado na obra. Acrescentamos que a “prática da letra” se conjuga como mostração do inconsciente. Na vida cotidiana, as artes são o verdadeiro ensino do “habitar o mundo poeticamente” com contradições, pequenas satisfações, gozos e morte. Num falar e calar, segundo Marguerite Duras: a verdade é mentirosa; a ficção é verdadeira – tudo falso; tudo verdadeiro. Ou seja, todo discurso é atravessado pelo discurso alheio, numa máscara e trama de intertextualidades e de citações, como a criança que chega ao mundo e que tem de se banhar na linguagem e nas vozes sociais, como diz a marchinha carnavalesca de Zé Keti: “no meio da multidão”.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005. LACAN, Jacques. O seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. São Paulo: Editora Zahar, (1964) 2008. LACAN, Jacques. Homenagem a Marguerite Duras pelo arrebatamento de Lol V. Stein. In: Outros Escritos. São Paulo: Editora Zahar, (1965) 2001. FRAYZE-PEREIRA, João Augusto. Arte, dor: inquietudes entre estética e psicanálise. São Paulo: Ateliê, 2010. MERLEAU-PONTY, Merleau. (2004). A dúvida de Cézanne. In: Maurice Merleau-Ponty, O olho e o espírito (P. Neves & M. E. G. G. Pereira, Trads., pp. 121-142). São Paulo: Cosac Naify. SIGMUND, Freud. Arte, literatura e os artistas. Obras incompletas, tradutor Ernani Chaves. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

20. Práticas de linguagem, representações e construção de saberes na escola e fora dela

Mônica Fontenele Carneiro (UFMA)
Chloé Leurquin (UFMG)
Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin (UFC/CNPq)

RESUMO: O homem se comunica/interage com seus pares entendendo e sendo entendido a partir de textos que circulam, de formas diversas, nas sociedades das quais ele participa. A partir do momento em que ele fala sobre o seu agir linguageiro (BRONCKART, 1999, 2019), sobre as suas práticas de linguagem, ele está no nível das representações, quando é possível identificar e analisar a construção dos saberes mobilizados. Neste simpósio, reunimos e confrontamos os três pontos das reflexões teóricas e dados empíricos relativos a práticas de linguagem em qualquer esfera da atividade humana; representações que fazemos a partir do discurso/texto; e construção de saberes mobilizados pelos envolvidos na comunicação/interação. Fundamentadas no que foi exposto, três grandes e amplas perguntas se configuram como fundamentais para nortear a nossa discussão: de que maneira a esfera da atividade humana/o contexto de produção/o campo de atuação é um elemento fundamental para a interpretação das práticas de linguagem no desenvolvimento humano e profissional? Como se constroem as representações e quais são seus efeitos nas práticas de linguagem? Como se dá a construção dos saberes mobilizados nas práticas de linguagem na escola e fora dela? Nosso objetivo maior com este simpósio é ampliar e aprofundar as discussões sobre as questões elencadas.

PALAVRAS-CHAVE: práticas de linguagem, representações, saberes.