"O carnaval propriamente dito (...) é uma forma sincrética de espetáculo de caráter ritual, muito complexa, variada que, sob base carnavalesca geral, apresenta diversos matizes e variações dependendo da diferença de épocas, povos e festejos particulares. O carnaval criou toda uma linguagem de formas concreto-sensoriais simbólicas, entre grandes e complexas ações de massa e gestos carnavalescos. (Mikhail Bakhtin. Problemas da poética de Dostoievsky)

O desenvolvimento e a popularização das tecnologias da comunicação levaram à uma democratização das opiniões. Opiniões variadas e com teores igualmente variados foram sendo reconhecidas e, com isso, grandes transformações foram operadas na sociedade. Essa democratização do dizer trouxe benefícios para a sociedade como um todo, mas também malefícios. Verdadeiras batalhas de opiniões podem ser encontradas tanto nos meios de comunicação em massa, quanto nas redes sociais, dando o caráter complexo às culturas. Não restam dúvidas de que discursos de intolerância e do negacionismo científico, tão em evidência na nossa sociedade, sobretudo porque resultam também dessa popularização do dizer, estão na ordem do dia. O jornalista Andrés Bruzzone, no seu livro Ciberpopulismo: políticas e democracia no mundo digital, comenta que esse é o mesmo quadro que se via no passado, em épocas de grandes guerras e mudanças na sociedade, com a novidade de que, nesta época, observa-se um apoio muito mais popular do que político em si. Muito desse apoio "popular" se dá por conta da popularização das redes sociais e da cibercultura. Por outro lado, um importante benefício vindo da popularização das culturas é a visibilidade de culturas não centrais e pouco ouvidas. Discursos não hegemônicos, democráticos e antifascistas têm conseguido visibilidade e oitiva, tanto na grande massa quanto nas redes sociais como um todo. Desse modo, grupos de direitos humanos e de reconhecimento de culturas locais têm alcançado notoriedade pouco vista anteriormente e têm se apresentado de modo forte e combativo. Pensando nesse contexto de pluralidade discursiva da sociedade moderna, a quinta edição do Congresso Internacional de Letras traz como tema principal a ideia da carnavalização, cunhada e discutida pelo Círculo de Bakhtin e condensada, principalmente, no livro A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, Problemas da poética de Dostoievsky. Em época de grande complexidade social e embate, o conceito de carnavalização tem sido fortemente explorado pelas ciências de um modo geral. Captamos a ideia de que, na festa popular do carnaval, tudo se inverte e a ordem social é transformada. Não existem barreiras, divisões, identidades ou papéis sociais, todos são livres para exercer a principal função, que é carnavalizar. O propósito de tomar o conceito de Bakhtin é tornar o congresso como um espaço de visibilidade de discursos e culturas consideradas menos hegemônicas e centrais. O Congresso, nesse sentido, busca apresentar um conjunto de produções acadêmicas e culturais (conferências, apresentações de comunicação oral, atividades culturais, publicações de anais e cadernos de resumos etc) que estudem e deem Como um grande carnaval, o V CONIL também conclama outros temas de pesquisas tanto na área de linguística quanto na de literatura para que possam apresentar ideias, resultados de pesquisas, discussões no grande campo das ciências humanas e sociais.